Arquitetura

Atirantados, brises “flutuam” em edifício projetado por FGMF


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O projeto do FGMF para a nova sede da Energisa, em Cataguases (MG), é um edifício leve e dinâmico que agrega soluções da arquitetura sustentável. Uma delas é o uso intenso da iluminação natural, o que exigiu do projeto controle da incidência solar através de brises que “tecem” fachadas suaves e, ao mesmo tempo, dinâmicas. Presas em tirantes, aproximadamente 1400 chapas de alumínio brancas flutuam ao redor do grande prisma retangular suspenso sobre pilotis. O projeto, que não será executado, foi finalista do “Prêmio de Arquitetura-Habitat Sustentável”, da Saint Gobain, e rendeu ao FGMF o “Grande Prêmio de Arquitetura Corporativa” na categoria Escritórios Predial -Projeto de 2016. Além do aproveitamento da iluminação natural, o projeto prevê o reaproveitamento da água de chuva captada pela cobertura verde, que também incorpora placas fotovoltaicas para a geração de energia elétrica destinada aos equipamentos de iluminação de baixo consumo.

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Ora na horizontal, ora na vertical, as placas de alumínio (60cm x 30cm) são sustentadas por tirantes presos nas lajes inferior e na de cobertura. “Queríamos passar a impressão de uma distribuição randômica e aleatória destas placas. Mas, a cada 10 metros, há uma repetição de um conjunto de placas ou módulos, explica o arquiteto Rodrigo Marcondes Ferraz, um dos sócios do FGMF, juntamente com os arquitetos Fernando Forte e Lourenço Gimenes.

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Os brises flutuantes controlam a incidência de luz solar sem bloquear a vista do entorno, que é emoldurada pelos caixilhos retangulares de vidro com 2m de largura e altura variável (3m ou 3,5m). A independência entre estrutura metálica e vedação deu aos arquitetos liberdade para compor e diversificar o interior da construção, que é enriquecida pelos blocos, passarelas e mezaninos recortados que valorizam o percurso do usuário.

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A inserção de parte do programa de necessidades em blocos, no pavimento superior, criou uma variação formal que quebra a monotonia espacial, assim como a diversificação dos materiais que os compõem (vidro, madeira e aço corten). Os guarda-corpos de vidro das passarelas e mezaninos interferem minimamente no conjunto.

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O projeto tira proveito do efeito chaminé para promover a ventilação natural. Além de liberar o térreo para a circulação de pessoas e veículos, o pilotis favorece a entrada de ar natural que sobe pelos vãos internos. As grandes aberturas em diferentes níveis geram um fluxo de ar ascendente que é liberado pela cobertura e aberturas na fachada posterior.

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A adoção de sistemas construtivos industrializados e racionalização da obra reduzem a geração de resíduos no canteiro, diminuindo o desperdício de material e o impacto ambiental da obra. Outras vantagens oferecidas pela escolha de componentes pré-fabricados para erguer o prédio, segundo os arquitetos, é o controle de qualidade e aumento da durabilidade da construção.

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Para o FGMF, o maior desafio do projeto foi atender às necessidades específicas de cada área da empresa, criando um conjunto harmônico que deverá se tornar uma nova referência urbana para a cidade de Cataguases. Questionado se o projeto da Energisa havia sido desenvolvido para receber o selo LEED, Marcondes afirmou que não. “Os conceitos e decisões de projeto tornam o edifício mais correto do ponto de vista ambiental. Para nós, mais importante do que conseguir a certificação é fazer um edifício com um projeto responsável que funcione, consumindo o mínimo de recursos naturais”, finaliza o arquiteto.

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Ficha técnica:
Energisa
Cataguases (MG), Brasil
Ano de projeto: 2015
Arquitetos: FGMF
Equipe: Fernando Forte, Lourenço Gimenes e Rodrigo Marcondes Ferraz (arquitetos autores), Luciana Bacin (arquitetos coordenadores), Ana Meirelles, Caroline Endo, Rodrigo Moura, Gabriel Mota, Luiz Falavigna (arquitetos colaboradores) e Nara Diniz (estagiária)
Área do terreno: 14.000m2
Área construída: 5.300m2

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Da esquerda para a direita, os arquitetos Lourenço Gimenes, Rodrigo Marcondes e Fernando Forte

 Forte, Gimenes e Marcondes Ferraz (FGMF)
Fazer projetos originais e obter o reconhecimento da academia e do mercado através deles. Era esse o objetivo dos arquitetos Fernando Forte, Lourenço Gimenes e Rodrigo Marcondes Ferraz ao fundar o escritório FGMF. A pluralidade de atuação em diferentes temas e a não especialização em um tipo específico de programa estão no DNA do escritório, fundado a mais de 15 anos pelos três arquitetos, que estudaram juntos na FAU-USP. A produção de uma arquitetura contemporânea, investigativa e inovadora, com atuação em todas as escalas e programas, do detalhe da residência ao plano urbanístico, é marca registrada do escritório. O FGMF é autor de projetos como a Casa Grelha, a loja Feed e o edifício Corujas. Em 2009, o escritório integrou o Architects Directory do anuário da britânica Wallpaper*, que destacou o trio de arquitetos brasileiros como um dos 30 escritórios de arquitetura mais promissores e vanguardistas do mundo. Um prêmio conquistado foi o Wan 21 for 21, onde o FGMF entrou para a seleta lista dos 21 escritórios de arquitetura do século 21. No Brasil, já são diversos prêmios, como o do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (AsBEA), o 1º Prêmio de Arquitetura Azkonobel, promovido pelo Instituto Tomie Ohtake, entre outros.

 

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