Arquitetura

Brises e cobogós contribuem para conforto ambiental da Danone


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Fábrica da Danone. Foto: Leonardo Finotti

Um dos principais objetivos do escritório LoebCapote Arquitetura e Urbanismo ao criar a fábrica da Danone, em Poços de Caldas, era privilegiar a vista da paisagem natural do sul de Minas Gerais. A vegetação do entorno e os jardins  criados pelo paisagista André Paoliello são facilmente avistados das salas do bloco administrativo e das passarelas. A permeabilidade visual entre interior e exterior é favorecida pela transparência das vedações, protegidas por brises e cobogós para garantir o conforto térmico das construções.

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Fábrica da Danone. Foto: Leonardo Finotti

Erguidos em patamares distintos no terreno em declive, os edifícios desalinhados criam um conjunto arquitetônico recortado que favorece a iluminação e ventilação naturais. A integração com a natureza, da qual se tem vistas generosas, e a preocupação com o conforto ambiental, guiaram LoebCapote no projeto da fábrica da Danone, inaugurada em 2016.

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Fábrica da Danone. Foto: Leonardo Finotti

Os mesmos conceitos são aplicados nas demais fábricas projetadas pelo escritório como, por exemplo, a Sicpa, no Rio de Janeiro, o Novo Centro de Distribuição da Avon, em Cabreúva (SP), e a Mahle, em Jundiaí (SP). O escritório, aliás, tem um papel pioneiro na transformação do conceito de obra industrial no Brasil graças ao projeto a Sede da Natura, em Cajamar (SP).

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Fábrica da Danone. Foto: Leonardo Finotti

Considerada um marco da arquitetura fabril no Brasil, justamente por romper com a ideia de monobloco rígido, austero e monótono, a Natura segue o conceito de pequena cidade ou campus universitário, com espaços de convivência para os trabalhadores, que podem desfrutar de jardins, espelhos d’água e passarelas.

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Fábrica da Danone. Foto: Leonardo Finotti

Na fábrica da Danone, a fachada oeste do bloco administrativo (1860m2) é protegida por brises metálicos com aletas em forma de “asa de avião”, da Hunter Douglas, que se fecham parcialmente no fim da tarde para barrar os raios solares rasantes que poderiam aquecer excessivamente o interior da construção. O isolamento térmico da fachada é melhorado pela câmara de 1,15m formada entre os brises e painéis deslizantes de vidro.

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Fábrica da Danone. Foto: Leonardo Finotti

Na fachada leste do prédio administrativo, as janelas do segundo pavimento são protegidas pelo brise da Hunter Douglas, um plano horizontal metálico perfurado que percorre longitudinalmente toda a construção.

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Fábrica da Danone. Foto: Leonardo Finotti

O edifício administrativo se conecta ao grande e hermético bloco fabril através de duas passarelas sustentadas por perfis metálicos que vencem vãos de até 15 metros. A passarela mais baixa conecta o térreo da fábrica ao 1º pavimento do bloco administrativo. A mais alta, por sua vez, liga o segundo pavimento de produção à cobertura do prédio administrativo, projetado para expandir-se verticalmente no futuro. “Por ser modular, o projeto favorece as expansões, programadas para acontecer em quatro fases”, explica Capote.

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Fábrica da Danone. Foto: Leonardo Finotti

À noite, a horizontalidade das passarelas vedadas com policarbonato é evidenciada pela iluminação suave e difusa dos LEDs tubulares, também empregados na recepção. A estrutura de colunas de concreto moldadas in loco e as vigas pré-fabricadas do edifício administrativo também são valorizadas pela iluminação artificial quando o sol se põe, da mesma forma que a torre de circulação vertical com suas aberturas retangulares que emanam luz à noite.

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Fábrica da Danone. Foto: Leonardo Finotti

A luz natural que entra no refeitório envidraçado, no térreo, é filtrada pela parede externa feita de elementos vazados de concreto. Além de impedir ganhos térmicos excessivos, o cobogó preserva a vista do exterior.

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Fábrica da Danone. Foto: Leonardo Finotti

Destinado a produção e o estoque de alimentos para nutrição infantil, o bloco fabril, com 8500m2, dispõe de fachadas praticamente cegas, compostas por painéis metálicos com até 11 metros de altura com miolo de poliuretano para isolamento térmico. A vedação e o sistema de ventilação forçada tornaram desnecessário o ar-condicionado no estoque, onde a luz natural penetra pelos domus de policarbonato que ficam entre as telhas metálicas do tipo sanduíche.

Ficha técnica:
Danone Early Life Nutrition
Poços de Caldas, Brasil
Ano de projeto: 2014
Ano de construção: 2016
Arquitetos: LoebCapote Arquitetura e Urbanismo
Equipe: Roberto Loeb e Luis Capote (autores), Damiano Leite e Chantal Longo (arquitetos associados), Nicola Pugliese, Francisco Cassimiro, Fernanda Invernise, Nadya Kouba, Isadora Ribeiro, Leticia Platet, Liliana Andrade, Mariana Zazulla, Thais Peres Felipe Figueiredo, Marcella Gavasso e Gabriela Torres (colaboradores)
Área do terreno: 103 mil m²
Área construída: 10,6 mil m²
Gerenciamento: Ybyraa Projetos e Gerenciamento
Execução da obra:  Construtora Construcione

equipe

Loebcapote Arquitetura e Urbanismo
Liderado pelos arquitetos Roberto Loeb e Luis Capote, o escritório de arquitetura tem se voltado para o desenvolvimento e implantação de projetos de complexidade programática e tecnológica, em especial as fábricas como a Danone, em Poços de Caldas (MG), a Sicpa, no Rio de Janeiro, e a Natura, em São Paulo. Outros projetos de destaque do escritório são o Centro de Cultura Judaica, na capital paulista, e o Centro Cultural Santander, em Porto Alegre. Também atua no campo de projetos sociais, dentre eles o Oficina Boracea, Minha Casa e Projeto Anchieta.

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