Arquitetura

Diáfanas, rítmicas e funcionais: três fachadas


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O sombreamento de fachadas é um dos recursos adotados pela arquitetura bioclimática para proporcionar conforto térmico às edificações. Além de melhorar a eficiência energética dos edifícios, brises, cobogós e beirais podem contribuir para a criação de uma linguagem arquitetônica arrojada e original, como é o caso do edifício da Panasonic em Hanói, no Vietnã, cuja envoltória é integralmente feita de elementos vazados.

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images © hiroyuki oki / trieu chien

Em um padrão floral, o cobogó cerâmico confere uma textura rendilhada ao volume arquitetônico do prédio projetado pelo escritório vietnamita Vo Trong Nghia Architects. Durante o dia, o cobogó controla e filtra a luz natural que entra nos pavimentos e circulações. À noite, a luz artificial interna que sai pelo rendilhado cerâmico converte o edifício em uma luminária texturizada que emite uma luz âmbar.

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images © hiroyuki oki / trieu chien

Em Pequim, na China, uma escola projetada pelo escritório Jacques Ferrier Architecture exibe um sistema de proteção solar feito de blocos delgados de madeira presos a uma estrutura metálica, criando uma malha reticular que protege a construção da radiação solar direta. Marcante na composição, a retícula de madeira parece flutuar ao ocupar as fachadas do segundo pavimento para cima, deixando a luz natural entrar sem obstruir a vista do exterior.

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Foto: Luc Boegly

Recentemente divulgadas em sites de arquitetura internacionais como o Designboom e o Inhabitat, ambas as construções incorporam anteparos de sombreamento que prevalecem no conjunto, se tornando o elemento principal da identidade visual destas edificações.

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Foto: Luc Boegly

No edifício da Panasonic, a luz filtrada pelo cobogó cerâmico permeia todos os ambientes, inclusive o vão vertical que se estende por todo edifício e é percorrido pela escada metálica. O efeito rendilhado que a luz adquire ao atravessar o cobogó é semelhante ao do muxarabi, treliçado de madeira de origem árabe usado na arquitetura colonial brasileira.

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images © hiroyuki oki / trieu chien

Foi o muxarabi, aliás, que inspirou o arquiteto francês Jean Nouvel na criação dos painéis de vidro com os diafragmas metálicos do famoso Instituto do Mundo Árabe (IMA) à beira do Rio Sena, em Paris, na França. Controlados por sensores fotossensíveis, os diafragmas se abrem e se fecham para regular a entrada de luz natural na fachada sul. Vale ressaltar que o edifício foi erguido em 1987, quando o tema “arquitetura sustentável” não despertava tanto interesse quanto atualmente.

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Foto: Ricardo Vidal

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  • Valentina Figuerola

    Sim. E na arquitetura corporativa brasileira predomina o conceito das “caixas de vidro” que não funciona em países de clima tropical, pois aumenta o consumo de energia elétrica com ar-condicionado… Uma pena não termos mais edifícios com brises, cobogós etc


  • Eder

    EderEder

    Author Responder

    Muito interessante a matéria. A arquitetura moderna corporativa poderia fazer maior uso dessas soluções em vez desse padrão opulento e perdulário que possui.
    Eder